Global Fashion Summit 2026: insights de três dias dedicados à moda e sustentabilidade

Copenhagem foi o destino de Isabela Veronezzi e Luiza Job, fundadoras da REORDER® e integrantes do nosso Comitê de Sustentabilidade, para um encontro especial: o Global Fashion Summit 2026. Neste post, você lê o relato de quem viveu dias pautados por discussões a respeito da construção de futuros resilientes na moda.

Isabela Veronezzi e Luiza Job, fundadoras da REORDER®, no Global Fashion Summit 2026, em Copenhagen.

Mais um ano em Copenhagen, no principal summit global dedicado ao futuro da sustentabilidade na moda. Desta vez, a sensação foi diferente. O tema era “Building Resilient Futures” e o que ficou não foi um conceito, mas percepção de que a indústria cruzou uma linha. Depois de anos de agenda aspiracional sobre ESG, as conversas em 2026 foram mais duras. Além disso, foram mais operacionais e, de certa forma, mais honestas. Menos sobre o que as marcas pretendem fazer. Mais sobre o que já precisam fazer, e por quê. Grupos como Chanel, Kering, H&M e LVMH estiveram presentes. O que nos chamou atenção não foi apenas quem estava na sala, mas o que eles vieram dizer.

Sustentabilidade como estratégia, não como posicionamento

Uma das falas mais marcantes foi a de Marie-Claire Daveu, Chief Sustainability Officer do Kering:

“Se quisermos mudar o paradigma, precisamos provar que isso também é bom para o negócio.”

É uma frase direta, quase desconfortável. Apesar disso, é exatamente esse desconforto que sinaliza algo importante: a conversa madureceu. Sustentabilidade deixou de ser reputação para se tornar infraestrutura. Não é mais uma agenda paralela. É parte da estratégia central de negócio.

Ao longo dos painéis, uma ideia apareceu repetidamente: inovação sem escala não transforma indústria. Temas como transparência de cadeia, novos materiais e circularidade estiveram em pauta. Reparabilidade, resale e responsabilidade pós-consumo também. Todos conectados não pelo impacto ambiental isolado, mas pela geração de valor e viabilidade financeira que representam.

Quando a natureza entra na planilha

Outro momento marcante veio de um painel da Chanel, conduzido por Guy Morgan: “O risco hídrico é, fundamentalmente, um risco direto para a continuidade do negócio.”

A frase traduz uma mudança de mentalidade que percebemos ao longo dos três dias. A discussão sobre dependência ganhou uma nova dimensão. Não é só o impacto da indústria na natureza, mas também quanto ela depende do meio ambiente para continuar existindo.

Em um painel com Alexandre Capelli, vice-diretor de meio ambiente do grupo LVMH, a conversa sobre biodiversidade trouxe métodos claros. Os modos avaliam a dependência ambiental, qualidade do solo, polinização e ciclos hídricos. Esses são fatores que começam a ser tratados como elementos ligados à continuidade financeira das operações. Quando uma marca entende que depende da saúde do solo para garantir matérias-primas, sustentabilidade deixa de ser mitigação de impacto. Vira gestão de risco.

Circularidade além do conceito

Outro ponto que nos chamou atenção foi a evolução da conversa sobre circularidade. O discurso saiu do “economia circular” como ideia e chegou em sistemas capazes de prolongar a vida útil dos produtos e manter materiais em circulação.

Muito se falou sobre modelos de infinite loop. Neles, o ciclo do produto não termina na venda. Continua pelo reparo, revenda, reutilização e reciclagem. Cada etapa gera inteligência para melhorar o design inicial. Na prática, o valor não existe só na hora da compra. Ele passa a ser construído ao longo de toda a jornada do produto.

O Brasil como protagonista possível

Grande parte da indústria global ainda discute como adaptar seus modelos à nova economia regenerativa e circular. Em contrapartida, o Brasil tem uma oportunidade concreta: liderar conversas sobre biodiversidade, regeneração e impacto territorial. É uma posição rara, e que exige consciência de quem está nela.

Isso pede uma visão de sustentabilidade além da redução de impacto. Uma visão capaz de construir sistemas produtivos que regeneram valor ambiental, social e econômico ao mesmo tempo.

O que levamos do Global Fashion Summit 2026?

Estar no Global Fashion Summit reforçou algo que acreditamos há bastante tempo: sustentabilidade não pode existir desconectada da construção de um negócio sólido. É o que orienta o trabalho que fazemos na REORDER®. É o que enxergamos, inclusive, na trajetória da LIVE!, que vem estruturando sua operação com esse entendimento. Do desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental ao uso crescente de energia renovável. Da gestão consistente de água ao longo da cadeia à evolução contínua em qualidade e durabilidade. No futuro próximo, sustentabilidade não será diferencial competitivo. Será critério mínimo de permanência. Nesse sentido, resiliência não é sobre resistir. É sobre ter a capacidade de evoluir quando o mundo pede.

A REORDER® acompanha nossa jornada de sustentabilidade há cinco anos desenvolvendo estratégias, metas e ferramentas para transformar propósito em impacto real. Juntas, cocriamos o projeto Pantanal aLIVE!, que apoia a Chalana Esperança, no Pantanal. Ele faz parte do LIVE! FUTURE, nosso laboratório de inovação e sustentabilidade.

Postado em:LIVE! Future

Team LIVE!

Escrito por Team LIVE!

Deixe seu comentário